https://app.logomaster.ai/pt/share/fN7Uuzjj

sábado, 22 de novembro de 2025

APENAS UM CONTO - O SINAL NO SILÊNCIO FINAL

 


Eduardo subiu as escadas de serviço, o crachá do síndico na mão. Cláudio estava aterrorizado, mas Eduardo o convenceu de que estariam seguros no 702. Ele o levou de volta ao seu apartamento.

Eduardo enviou a mensagem de isca para o síndico. Ele tinha o celular com a gravação ativada, pronto. Mas ele também pensou na segurança, caso o síndico resistisse. Ele pegou o martelo enferrujado da caixa de ferramentas de Cláudio, que estava jogada na sala do 702, e o escondeu atrás de uma cortina.


Em menos de cinco minutos, a campainha tocou.


"Que brincadeira é essa, Eduardo? Me devolva meu crachá."


"Entre," disse Eduardo. O síndico entrou.


"Onde está Cláudio?", perguntou o síndico.


"Ele está aqui," disse Eduardo, mostrando o celular e o crachá. "Ele me contou tudo. A gravação já está rolando. Acabou para você, Síndico."


O síndico sorriu, um sorriso frio. "Parabéns pela sua astúcia, Eduardo. Você quase conseguiu nos enganar."


Foi então que Cláudio saiu do esconderijo, rindo. "O senhor Eduardo desvendou tudo. Pena que não percebeu que a gente nunca se separou."


O sangue de Eduardo gelou. Ele olhou de Cláudio para o síndico.


"A voz eletrônica era para te trazer de volta, Eduardo. Cláudio é leal. Eu paguei um preço alto, mas a lealdade é mais barata que a cadeia. A parede estava ficando muito 'barulhenta' com um só corpo. Precisávamos de um corpo a mais para confundir a história."


Eduardo se desesperou, procurando o martelo escondido. Mas Cláudio foi mais rápido.


O zelador, com uma agilidade assustadora, correu para a cortina, pegou o martelo enferrujado que Eduardo havia escondido e o ergueu.


"O martelo é meu, senhor Eduardo," disse Cláudio. "E é para ser usado no serviço."


Eduardo tentou gritar, mas foi tarde. O golpe veio rápido e seco, acertando a lateral de sua cabeça. Ele caiu, o celular com a gravação ainda ligada escorregando de sua mão, a tela rachando.


"Rápido, Cláudio. O duto está aberto no 701. Vamos terminar isso logo," ordenou o síndico, ajeitando a gola.


Os dois arrastaram o corpo inerte de Eduardo para o apartamento vizinho. O duto, convenientemente, ainda estava com a seção de acesso aberta. O corpo de Eduardo foi empurrado para o espaço apertado entre as paredes, ao lado do corpo de seu vizinho. A seção do duto foi recolocada e a parede, reparada com gesso.


O síndico olhou para o reparo perfeito, passando a mão na superfície. "Perfeito. Agora, o que é um corpo a mais entre amigos?"

...


Os meses se passaram. O síndico e Cláudio, com álibis sólidos, denunciaram Eduardo como um "desequilibrado que os ameaçou" antes de desaparecer. O caso foi arquivado.


Um ano depois, o apartamento 702 estava novamente no mercado. Um jovem casal, Ana e Pedro, visitava o local.


"É um ótimo apartamento, e a taxa de condomínio é surpreendentemente baixa!" disse a corretora.


Ana e Pedro passeavam pela sala. Pedro se aproximou da parede divisória, colocando o ouvido contra ela.


"Você ouviu isso, Ana?" ele sussurrou.


"O quê?"


"Parece... umas batidas. Tipo um... tap. Tap-tap. Tap."


A corretora pigarreou, um suor frio escorrendo por sua testa. "Encanamento, normal de prédio antigo."


Mas Pedro não se moveu. As batidas eram fracas, mas distintas. Elas eram regulares. E pareciam vir de um lugar... entre as paredes. Eram mais altas, mais desesperadas, e o padrão havia mudado.


E o tap. Tap-tap. Tap. continuou, um sinal inaudível que acabara de encontrar sua nova testemunha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário